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“Paredes-Meias”- Pontes em Poços de Água

A etimologia das palavras move pontos fundamentais da produção artística contemporânea. Também o espaço e o tempo, e a forma como o ser humano se aproxima destes conceitos abstratos, estruturam uma linha de pensamento que procura desmistificar a palavra Alcântara. Palavra refém das margens, da história, daquilo que une. Palavra extensível que nos chega do árabe Al-Qantara: ponte. Nesta segunda edição de Paredes-Meias, reforçam-se os valores comunitários introduzidos na primeira edição, concretizando-os numa ponte infinita e de múltiplas margens. O encontro acolhe novos espaços, como novos poços adjacentes a uma ribeira que pode desaguar no Tejo. Debaixo de uma ponte, na extensão das suas margens, emerge um momento de partilha onde as paredes são inundadas pela produção artística dos artistas representados pela Galeria Braço Perna e pela Galeria Ainori. A natureza dos espaços não dita a sua extensão. É no dividir quarteirão, rua e parede que surge uma plasticidade inerente ao ser humano: o estar para o outro e com o outro. É o nunca negar um copo de água. Durante estes três dias, os espaços e as suas margens habitam uma ambiguidade fértil, onde cada identidade, nunca ocultada, se eleva a uma dimensão coletiva. Em apenas um ano, esta relação ganhou outra escala, outra mancha na malha urbana, porque a arte, na sua condição abstrata, alimenta-se de um questionamento constante da finitude, num gesto contínuo de abrir novos poços de água. As obras apresentadas tornam-se, assim, dispositivos de aproximação. Mais do que ocuparem lugares, criam travessias entre corpos, linguagens sensitivas e experiências distintas, as quais marginalizam a rigidez das fronteiras físicas e o seu propósito primário. Cada parede deixa de funcionar como limite para se assumir como superfície de encontro, onde o olhar individual se dissolve numa experiência comum. Entre a permanência da arquitetura e a fluidez das relações humanas, desenha-se um território provisório. Paredes-Meias - Ponte em poços de água afirma-se, por isso, como um exercício contínuo de proximidade. Uma ponte que não procura apenas ligar margens, mas expandi-las. Num contexto atual marcado pela fragmentação e pelo isolamento, o gesto de partilhar espaço, água, palavra e criação torna-se uma forma de ressalva coletiva. Talvez seja essa a verdadeira vocação desta possível ponte e deste exercício expositivo: não encurtar distâncias, mas permitir que nelas exista circulação, partilha e comunidade.

 

 

Tiago Pessanha 19 de Maio de 2026

ARTISTS FROM OUR GALLERY: 

ANDRÉ ALMEIDA E SOUSA

ÂNGELA DIAS

FERNANDO MESQUITA

FILIPE ROMÃO

FRANCISCO TONELO

JOÃO FITAS

JORGE LOPES

LUÍS ALMEIDA

LUÍS SILVEIRINHA

MARTÎM

MIGUEL ÂNGELO MARQUES

RAQUEL MENDES

RUN JIANG 

TOMÁS TOSTE

WANDERSON ALVES

ARTISTS FROM AINORI GALLERY: 

LEONOR SAUDERS

MATILDE DE OLIVEIRA ROQUE

RUI HERMENEGILDO

PAULA LOPEZ-BRAVO

TIAGO EVANGELISTA

SPACES THAT COLLABORATED: 

GALERIA BRAÇO PERNA

GALERIA AINORI

TUDO VELHO

FARMÁCIA ALCÂNTARA TERRA

CAFÉ FALTA

CAFÉ MILA

TEMPERO CASEIRO

ATELIER DAIANE

GUSTO TABERU

CABELEIREIRO LEIDIANE

BARBEIRO

CENTURY 21

TRALHÃO

THE[SEPC_ROOM]DESIGN GALLERY

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